Acabo de voltar do cinema. Fui junto com minha irmã. Assisti a um filme que deveria ao menos me interessar, afinal eu já li o livro. A versão literária do filme foi uma boa experiência. Apesar da história clássica, um amor impossível, no tipo Romeu e Julieta, ainda assim, o livro é gostoso de ler e a proposta é diferente. O embate entre duas raças: Vampiros e Lobisomens. O romance entre o vampiro e uma humana. Não é nenhuma história digna de uma Anne Rice, reconhecida hoje por seus livros sobre vampiros, mas o contexto defende uma visão interessante. Acho que todos já devem ter descoberto que eu estou falando do novo filme da série Crepúsculo, Eclipse.
Não tenho nem o que comentar sobre o filme, só sei de uma coisa: é uma merda. Não acontece absolutamente nada no filme todo. Começa do nada. Termina do nada. E no meio não tem história nenhuma. Mas não estou aqui para falar sobre a qualidade do filme, e essa nem é a proposta do meu atual post. Estou aqui para falar de Branding, e acho o filme Eclipse uma transcrição adequada para explicar de maneira simples, o que é gestão de marca.
Gestão de marca começa no momento em que nos damos conta de que a marca em questão é feita para um público específico. No caso de Eclipse, estamos falando delas: jovens mulheres (18 a 25 anos), classe C principalmente, querendo viver uma vida emocionante com o príncipe encantado de seus mais profundos sonhos. Esse público alvo responde positivamente a um leque variado de conceitos diversos e são esses conceitos que constroem a marca, ou que a atualizam, conforme uma necessidade demonstrada. E aqui nem falo da marca Twilight em si, falo dos personagens, da narrativa, do ambiente e até mesmo da música.
Vou me limitar a um personagem do filme todo. Um que seja representativo do quanto um trabalho de marca possa realmente influenciar na hora do gosto, na hora da compra: Jacob Black, o lobo. O homem, másculo, retrato da virilidade, da força. Aquele que irá proteger todas as meninas no momento chave, capaz de se jogar na frente de um trem para salvar a donzela em perigo. E o amigo companheiro, nas horas de solidão, aquele a quem se possa confiar todos os segredos, pois ele certamente é uma salvação, a luz do fim do túnel.
Se essa descrição se assemelha muito ao Jacob do segundo e terceiro filme da série, não condiz nada com a figura de garotinho do filme, início da tetralogia: Crepúsculo. Alias eu que pergunte, algumas das moças aqui presente, chegou a sentir o mesmo tesão que sente pelo Jacob atual ao ver este jovem mocinho a seguir? Sejam sinceras!

Não parece com uma criança de 16 anos? O fato é que a marca pessoal do próprio personagem foi totalmente revista. O personagem evoluiu e com isso, aumentou-se incomensuravelmente o número de fans mulheres. Aos meus olhos ele não mudou absolutamente nada. Só tirou a camiseta e cortou o cabelo. Mas para o orgulho dos designers e gestores de marcas, agora podemos realmente afirmar que gestão de marca, feita de maneira adequada, vende!

É verdade que um logotipo da vida, não é esses músculos todos, mas um desenho bem simples que irá representar a mensagem da empresa. Toda imagem, por mais variada que seja, passa uma mensagem, seja essa imagem um quadro de pintura, uma fórmula abstrata ou um logotipo. O logotipo de um sexshop tem que passar a mensagem “deseje-me” do mesmo jeito que a marca de uma escola deve passar a mensagem “ensine-me”. Quando tem-se um objetivo para a marca, é fundamental uma boa gestão, senão as mensagens podem não ser entendidas pelos seus respectivos públicos e resultar num desinteresse do mesmo.
Hoje, assistir os filmes da série crepúsculo não é mais um programa de final de semana, virou curiosidade: para os fans de um lado, aqueles que leram o livro, e querem ver como será a transcrição do mesmo nas telas do cinema, e do outro lado para as fãs dos dois personagens masculinos principais do filme. Será que nesse vamos ver mais uma parte do corpo do Jacob? Será que o Edward vai deixar de ser gay e corno e enfim, aproveitar da Bella?
Os usuários consomem pela necessidade dos detalhes e não pela vontade simples de assistir a um filme, do mesmo jeito que beber Coca-Cola é para matar a sede muito além do que simplesmente refrescar. Nos tornamos dependente da marca. Somos cativos de seu encanto.
Branding, onde a gestão da marca ilude nossos olhos e nossa mente, ao ponto da Eclipse virar sol e do sol virar divinamente bom.
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